INCLUSÃO DIGITAL – INFORMÁTICA NA TERCEIRA IDADE?

Informática na terceira idade

A terceira idade é o atual foco da inclusão digital. Entre 2012 e 2016, a porcentagem de brasileiros com mais de 60 anos que usa internet cresceu de 8% para 19%, segundo pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. Este aumento também é consideravelmente significativo em Portugal.

Como um fenômeno da era moderna, a Internet foi por muito tempo considerada como algo reservado às gerações mais jovens – criando um enorme obstáculo para encorajar e ensinar as pessoas da terceira idade a se tornarem cientistas da computação. Porém o que começou como diversão com jogos se transformou em ferramenta que facilita o dia-a-dia da população geral, em todas as faixas etárias. Quase uma necessidade absoluta.

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Outro dia estava na clínica e uma de nossas residentes pediu um auxilio do médico. Achei que não estava se sentindo bem…. Para minha surpresa ela queria ajuda para falar com o filho, através de whatsup, que mora em Portugal. Pensando na importância do papel facilitador da informática na terceira idade nosso residencial conta com sinal de wifi para permitir nossos residentes manter-se conectado a todo momento.

Mas, do ponto de vista médico, a informática na terceira idade pode ser uma excelente atividade de estimulação cognitiva em idosos.

Uma pesquisa da Universidade da Califórnia com pessoas com idades entre 55 e 78 anos revelou que depois da experiência do primeiro contato com o computador, eles mostraram, em ressonância magnética, maior atividade nas áreas da linguagem, leitura, memória e capacidade visual. Submetidos a uma segunda ressonância após duas semanas, os pesquisadores perceberam que além da região já movimentada com o primeiro contato do computador, agora a região frontal do cérebro também havia sido ativada: região esta que controla a memória e a tomada de decisões.


Antenados aos benefícios do uso da internet, o European Interactive Association (EIAA) chegou a elaborar um termo para denominar a legião de navegadores que passaram dos 60 anos: são os silver surfers, algo como “surfistas prateados”, em referência aos brancos dos cabelos.
Essas e outras descobertas já foram relatadas no livro Terceira idade e Informática – Aprender Revelando Potencialidades, da psicóloga e pedagoga Vitória Kachar.

Um desdobramento da tese de doutorado da autora, a obra “resgata o potencial intelectual de pessoas da terceira idade, mostrando como a informática pode criar condições para que elas se desvelem para a vida em vez de ficarem reclusas em seus mundos de memórias e do passado”, conforme o orientador do trabalho, José Armando Valente, no prefácio do livro Vitória explica que são diversos os motivos que levam essas pessoas a superar o medo da máquina para dominar a tecnologia. Entretenimento, o desejo de manter-se atualizado e a maior interação com os “brinquedos eletrônicos” dos netos são alguns deles.

Dentre os principais benefícios da informática em pacientes de terceira idade estão:

✓ Melhora na memória e capacidade de raciocínio.

✓ Ajuda a adiar o aparecimento de demências.

✓ Ficar por dentro de notícias com facilidade.

✓ Manter e ampliar círculo de contatos.

✓ Oportunidade de educação continuada e a distância e estimulação mental.

✓ Incentivo à procura de assuntos sobre o envelhecimento, com a ativação da curiosidade intelectual e do vínculo afetivo com atividades de pesquisa.   

De forma prática, a informática na terceira idade ajuda a facilitar o dia a dia,  promove melhora cognitiva dos pacientes e o entretenimento dos mesmos bem como ajuda na interação social com amigos e familiares.

Nunca é tarde para aprender!

Dr. Andre Feldman

Médico Clínico e Cardiologista  – Sociedade Brasileira Cardiologia, Doutorado em Ciências Médicas pela USP

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